Joana D’Arc: a fé e a guerra no mesmo personagem

O mito da heroína Joana D’Arc, filha de camponeses franceses, foi consolidado durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453), quando a Inglaterra invadiu a França. O fascínio pela história inspirou lendas e mitos.

Em 1328, o rei francês Carlos morreu sem deixar um herdeiro. Os ingleses, por serem parentes mais próximos dos últimos reis da dinastia dos capetíngios diretos, que dominava a França desde 987, consideravam-se herdeiros legítimos. Assim, declararam guerra aos primos para conquistar o trono francês.

O interesse da Inglaterra no comércio de lã de Flandres, dominado pela França, e a ajuda francesa ao movimento de resistência escocês também motivaram a guerra. Em 1422, o rei francês Carlos 6o morreu – e um bom pedaço do território do país já estava sob domínio inimigo. O novo rei, Carlos 7º, ainda não tinha sido coroado. Mesmo assim, ele que abriu as portas do castelo para ouvir a camponesa mística.

Por volta dos 13 anos, Joana D’Arc afirmou ouvir vozes do Arcanjo São Miguel, de Santa Catarina de Alexandria e de Santa Margarida de Antioquia, que lhe deram quatro missões: acabar com o cerco inglês em Orleans; levar o novo rei para ser coroado, conforme as tradições, em Reims; expulsar os invasores de Paris; e libertar o duque de Orleans, primo do monarca.

FÉ ARMADA

Joana conseguiu encontrar com o rei no castelo de Chinon e foi interrogada por conselheiros reais e teólogos, tendo a virgindade verificada por matronas. Os senhores chancelaram a sinceridade da fé da garota, que então recebeu do rei uma espada, um estandarte grafado com as palavras “Jesus-Maria” e, embora não tenha sido nomeada cavaleira, se uniu aos soldados franceses com destino a Orleans.

A heroína lutou ao lado dos soldados franceses, vestida como eles, contra a dominação inglesa nos campos de batalha da bastilha de Saint-Loup, torre des Augustins, torre de Tourelles, Jargeau e Patay. A presença de Joana contribuiu para manter o moral dos soldados com palavras de confiança. A fama de guerreira se espalhou e ela conseguiu cumprir as duas primeiras metas. A terceira missão era libertar Paris, o que não aconteceu. Joana foi ferida e o pajem dela foi morto. As forças francesas foram derrotadas pelos ingleses em setembro de 1429. Meses depois, Joana e os soldados se uniram ao exército real para libertar Compiègne e, em maio de 1430, Filipe, o Bom, sitiou a cidade. Joana foi presa por um escudeiro borguinhão e vendida ao rei da Inglaterra por 10 mil libras.

Mais de 100 juízes e especialistas participaram do julgamento de Joana por feitiçaria. Entre eles, apenas sete ingleses – todos os demais eram franceses. O interrogatório durou um mês. Dois pontos condenaram a ré: as vozes, que viriam do diabo, na interpretação dos magistrados, e o uso teimoso de vestes masculinas, inadmissível para uma dama, na época. Condenada, Joana foi queimada viva aos 19 anos, em 30 de maio de 1431.

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